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09 June 2015

Cannabis | Cânhamo

Cannabis sativa var. ruderalis Janisch.; syn.: Cannabis ruderalis Janisch.
Cannabis é um género de plantas, da família das Canabináceas, que inclui três espécies diferentes: Cannabis sativa, Cannabis indica e Cannabis ruderalis. A Cannabis tem sido muito utilizada desde há milhares de anos para a produção de sementes e óleos comestíveis, para uso medicinal e para o fabrico de fibras (cânhamo) de uso têxtil ou em cordoaria.
As espécies Cannabis sativa e Cannabis ruderalis são chamadas cânhamo, ou também cânhamo industrial. A rudelaris é considerada por alguns autores uma variedade da sativa. A fibra do cânhamo é usada no fabrico de cordas, tecidos, papel e outros produtos. As suas sementes são usadas na alimentação (humana e de animais) e para o fabrico de óleos, cosméticos, resinas, tintas, lubrificantes, combustíveis, etc. As sementes de cânhamo são nutricionalmente muito ricas, nomeadamente em ácidos gordos essenciais, proteínas e aminoácidos.
Hoje em dia o cultivo de cânhamo (industrial) é legal na Europa, inclusive com subsídios da União Europeia. As plantas usadas nestas culturas deverão ter uma baixa ou nula concentração do psicoativo tetraidrocanabinol (THC).
A Cannabis indica, chamada cânhamo indiano e maconha, entre vários outros nomes, tem uma concentração muito mais alta de THC que a Cannabis ruderalis, sendo por isso usadas as suas flores, folhas, sementes e resina como psicotrópico. As variedades de Cannabis sativa com níveis mais altos de THC também são usadas como estupefacientes.
As principais plantas do género Cannabis são genericamente denominadas em português canábis (cânabis, no Brasil) ou cânhamo. A palavra cânhamo deriva do latim *cannabu, «cânhamo», pelo castelhano cáñamo.
As Cannabis e os seus produtos, nomeadamente nos usos como estupefacientes, são conhecidos por diversos nomes: baseado, abango, abangue, aliamba, angola, back, bagana, bagulho, bango, bangue, banza, beck, bengue, béque, bhang, birra, boldo, bongo, broca, brenfa, breu, canábis, cânabis, cânave, câneve, cangonha, cânhamo, cânhamo indiano, cannabis, cano do diabo, caroçuda, chá, chamon, charas, charro, chocolate, cigarito del diablo, cigarrinho do capeta, cofo, daga, diamba, dirígio, dirijo, donajuanita, droga, erva, erva do norte, erva maldita, erva maligna, ervamaldita, ervamaligna, fino, fuminho, fumo, fumo de caboclo, fumobravo, ganja, ganjá, ganza, Green Dragon, haxixe, hemp, inê, jareré, jereré, jererê, joint, kief, kif, liamba, liambra, maconha, marigonga, mariguana, marijuana, maruamba, óleo, padjinha (“palhinha”, em Cabo Verde), pango, pez, porro, rafi, riamba, sabonete, sinsemilla, skank, skunk, soap bar, soruma ou suruma (em Moçambique), tabanagira, tablete, taco, tapa na pantera, tarolo.
Cannabis sativa
Topónimos
Alguns topónimos em Portugal têm origem em cânhamo: Marco de Canaveses, Canaveias, Canavelas, Canavesinhos, Câniva, Canaveira.
Canavês, canaveias ou canaveira é um campo onde se cultiva ou cresce o câneve ou cânave, ou seja, cânhamo. Do latim cannabaria.
Os topónimos com os elementos cana ou canha também podem ter relação com cânave ou cânhamo.

Foto Cannabis sativa var. ruderalis; autor Le.Loup.Gris; licença Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported.

28 May 2015

Palavras invulgares ou curiosas - 2

Palavras invulgares ou curiosas: parte 1.

Abegão. Indivíduo que faz carros, arados e outros instrumentos agrícolas; carpinteiro de carros e carroças. (Alentejo, Portugal.)
Adrego. Por acaso. (Alentejo, Portugal.)
Ainda bem não ou inda bem não. De vez em quando. (Alentejo, Portugal.)
Alcagoita. Amendoim. (Alentejo, Portugal.)
Alvanéu. Pedreiro, construtor civil. (Alentejo, Portugal.)
Aventar. Atirar fora.
Avondo. Já chega. (Alentejo, Portugal.)
Azogue. Íman; magnete. (Ribatejo / Alentejo, Portugal.)
Beluga. Cetáceo das regiões árticas, também chamado baleia branca; Delphinapterus leucas. Do russo белуха (belukha).
Bodega. Coisa sem utilidade. (Alentejo, Portugal.)
Cadinho. Um bocado, um bocadinho, um pouco. (Alentejo, Portugal.)
Canzuada. Grupo de cães. (Alentejo, Portugal.)
Chumela ou xumela. Almofada; travesseirinha, travesseirinho; chumacete; faixa de recém-nascido. Do latim plumella, diminutivo de pluma, «pena». (Alentejo e Algarve, Portugal.)
Ervilhana. Amendoim. (Alentejo, Portugal.)
Extroviado. Maluco. (Alentejo, Portugal.)
Fezes. Preocupações; ralações; dissabores; problemas. (Alentejo, Portugal.)
Gajo, gajada, gajedo.
Galdéria. Mulher cujo comportamento é considerado leviano, atrevido ou promíscuo. (Alentejo, Portugal.) Do latim gaudere, «folgar; alegrar-se»
Loiseiro. Pessoa que conta muitas graçolas, ou que aborda as coisas com alguma graça. (Alentejo, Portugal.)
Maelstrom. Remoinho de água; grande turbilhão de água; voragem; sorvedouro. Do norueguês malstrøm ou malstraum; em sueco malström; em inglês maelstrom.
Magana. Mulher velhaca, trapaceira; mulher jovial e namoradeira; mulher considerada dissoluta. (Alentejo, Portugal.)
Maltês. Indivíduo que faz parte de um grupo de trabalhadores agrícolas que se deslocam para trabalhar temporariamente fora da sua terra; trabalhador que vive em maltas, sem domicílio certo; indivíduo vadio; vagabundo; regionalismo indivíduo trapaceiro; mentiroso;
Homem que não pára em casa. (Alentejo, Portugal.)
Finório, mentiroso. (Trás-os-Montes, Portugal.)
Manhento. Guloso. Do cabo-verdiano manhente.
Maniento. Vaidoso, pessoa com ar importante; que ou o que tem muitas manias. (Alentejo, Portugal.)
Migalheiro. Mealheiro. (Alentejo, Portugal.) Corruptela de mealheiro, de mealha+eiro: mealha (porção insignificante; migalha; antiga moeda de cobre equivalente a meio ceitil), do latim vulgar medalia, por medialia, plural de [aes] mediale, «meio dinheiro», moeda de cobre.
Moenga. Aborrecimento, chatice; preguiça.
Mondrongo. Português. (Depreciativo; Cabo Verde e Brasil.)
Murro; estalada. (Cuba, Alentejo, Portugal.)
Pial. Poial; degrau. De poio, do latim podiu, «balcão».
Troll ou trol. Criatura antropomórfica imaginária do folclore escandinavo e da mitologia nórdica, geralmente de aparência feia, podendo ser anão ou gigante. Do nórdico e norueguês troll, «demónio».
Não deve ser confundido com troll na internet: http://pt.wikipedia.org/wiki/Troll_(internet)

Palavras invulgares ou curiosas: parte 1.
(Continua...)

Fontes, por ordem alfabética:
Dicionário Universal da Língua Portuguesa, Texto Editora, Lisboa, 1995, 1.ª edição.
Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 5.ª edição.
http://acll.home.sapo.pt/portugues.html (Alentejo)
http://dicionariopopular.blogspot.pt/
http://historiaselendas.no.sapo.pt/paginas/falar.htm (Cuba, Alentejo)
http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/ (Brasil)
http://www.estraviz.org/ (Galiza)
http://www.infopedia.pt/ (Portugal)
http://www.lexico.pt/
http://www.mackenzie.br/mineires2_label.html (Minas Gerais)
http://www.portalalentejano.com/dicionario-alentejano/ (Alentejo)
http://mocambicanismos.blogspot.pt/ (Moçambique)
http://www.priberam.pt/DLPO/ (Portugal)

https://meta.wikimedia.org/wiki/Wikimedia_projects 

25 May 2015

Palavras invulgares ou curiosas - 1

Palavras invulgares ou curiosas: parte 2.

Agreste. Zona geográfica, entre a entre a Zona da Mata e o Sertão (ou a caatinga), de solo pedregoso e vegetação escassa e de pequeno porte. (Nordeste, Brasil.) Do latim agreste, «relativo ao campo».
Angarela. Conjunto de fueiros com que se ampara a carrada de palha ou feno. (Regionalismo, Portugal.)
Cavalete de madeira do qual pendura a gramalheira para colgar o caldeiro ao lume da lareira. (Galiza.)
Arjão. Pau para empar as videiras e outras plantas; empa; estaca; bardo. (Provincianismo.)
Belzonte. Cidade de Belo Horizonte. (Minas Gerais, Brasil.)
Branda. Designação de mata ou pasto situado nas montanhas; tapada ou pastagem no alto de uma serra, geralmente em terreno pouco inclinado e junto a um curso de água; tapada ou pastagem nas montanhas; lugar nos montes onde apascenta o gado durante o verão. (Minho.)
Ex.: Durante os meses de bom tempo, o gado é levado até à serra, onde fica nas brandas. Os pastores permaneciam na inverneira até Março, altura em que subiam para a branda.

Bruquilho. Nome dado aos habitantes do norte da ilha da Madeira. (Madeira.)
Bua (infantil). Água, na linguagem das crianças. Em latim bua.
Caatinga. Nome de lugares e plantas do sertão onde abunda o carrascal; formação vegetal xerófila do sertão (interior do Nordeste do Brasil) constituída por arbustos espinhosos e cactáceas; tipo de vegetação do nordeste do Brasil, em que predominam pequenas árvores espinhosas que perdem as folhas ao longo da estação seca; mata onde a vegetação tem pouca folhagem composta principalmente por espinheiros, cactos e gravatás; zona ou região que possui este tipo de vegetação; vegetação típica do Nordeste brasileiro e de parte do norte de Minas Gerais, em que predominam plantas xerófilas, como árvores caducifólias na estação seca, frequentemente espinhosas; formação vegetal pouco densa, com árvores e arbustos de pequeno porte; mato enfezado; areal; terra estéril. A caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro. Também catinga. Do tupi caá (mato) + tinga (branco) = mato branco.
Canimambo. Obrigado, obrigada (agradecimento). (Moçambique.)
Capulana. Pano usado principalmente como saia ou para levar os bebés às costas; pano que se coloca à volta da cintura e que chega abaixo dos joelhos; tecido de algodão, fibra sintética ou seda, geralmente estampado e colorido, que, tradicionalmente, as mulheres moçambicanas amarram à volta da cintura, cobrindo a parte inferior do corpo. (Moçambique.) Do landim kap[u]lana.
Djaua. Gajo, tipo. (Moçambique.)
Inverneira. Em Castro Laboreiro, lugares situados num vale profundo e abrigado de tempestades onde apascentam o gado no inverno; habitação sazonal situada em vale profundo e protegido de temporais, usada na estação invernosa.
Ex.: os pastores permaneciam na inverneira até Março, altura em que subiam para a branda.

Estrambólico. Extravagante; esquisito; ridículo; que é estranho ou pouco convencional; raro; diz-se do que é irregular e sem ordem. O mesmo que estrambótico. Do italiano strambotto: «dalla fusione di "strambo" o "strano" e "motto", è un componimento lirico popolare di origine siciliana, noto fin dai primi tempi della nostra letteratura. In origine forse indicò un componimento dal contenuto satirico». Ou do nome do vulcão e ilha italiana de Stromboli (em siciliano Struògnuli; aportuguesado para Estrômboli).
Machamba. Terreno de cultivo agrícola, normalmente para produção familiar. Do changana maxamba. Ou do suaíli mashamba, plural de shamba, «quinta, plantação, terreno cultivado, campo».
Madala. Homem de certa idade, referido com respeito. (Moçambique.)
Milando. Problema, confusão, briga, disputa; o mesmo que os moçambicanismos maca, timaca. (Moçambique.)
Moiá a palavra. Tomar um gole, beber um gole de bebida como cachaça. (Minas Gerais, Brasil.)
Morabeza. Qualidade de quem é amável, delicado, gentil; amabilidade, afabilidade, gentileza. (Cabo Verde.)
Nórrego. Homem pequeno e duro. (Courel, Galiza.)
Portuguesa. Camisola de manga curta com dois botões e gola, pólo. (Moçambique.)
Trem. Coisa, qualquer coisa é um trem. (Minas Gerais, Brasil.)
Trenzim. Coisa pequena; trem pequeno. (Minas Gerais, Brasil.)
Uai. Interjeição que expressa surpresa, satisfação, espanto ou suscita dúvida. (Minas Gerais, Brasil.)

Palavras invulgares ou curiosas: parte 2.
(Continua...)

Fontes, por ordem alfabética:
Dicionário Universal da Língua Portuguesa, Texto Editora, Lisboa, 1995, 1.ª edição.
Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 5.ª edição.
http://acll.home.sapo.pt/portugues.html (Alentejo)
http://dicionariopopular.blogspot.pt/
http://historiaselendas.no.sapo.pt/paginas/falar.htm (Cuba, Alentejo)
http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/ (Brasil)
http://www.estraviz.org/ (Galiza)
http://www.infopedia.pt/ (Portugal)
http://www.lexico.pt/
http://www.mackenzie.br/mineires2_label.html (Minas Gerais)
http://www.portalalentejano.com/dicionario-alentejano/ (Alentejo)
http://mocambicanismos.blogspot.pt/ (Moçambique)
http://www.priberam.pt/DLPO/ (Portugal)
https://meta.wikimedia.org/wiki/Wikimedia_projects



22 May 2015

Autocarro | Ônibus

Autocarro em Lisboa, Portugal
Nos vários países de língua galego-portuguesa, e em regiões dentro desses países, são usadas diversas palavras diferentes para designar os transportes públicos rodoviários de passageiros. Vejamos algumas palavras, por ordem alfabética, que descrevem um grande veículo automóvel para transporte coletivo de passageiros, geralmente de âmbito público, usado em carreiras regulares urbanas ou entre povoações, ou para serviço turístico ou de aluguer.
1. Autobús, autocar ou ómnibus. São os termos usados na Galiza na ortografia oficial da Real Academia Galega. Os galegos críticos dessa ortografia usam termos com grafia igual ou semelhante à de Portugal ou do Brasil.
2. Autocarro. É a palavra mais usada hoje em dia em Portugal. A palavra autocarro é composta por auto+carro. A palavra auto- deriva do grego αὐτο-, αὐτός, (auto-), que significa «o próprio, por si próprio». A palavra carro deriva do latim vulgar carru, relacionada com carrum, carrus (plural carra), originalmente um carro ou carroça de duas rodas. A palavra latina tem origem no gaulês karros, do proto-indo-europeu *krsos, com raiz em *kers, «correr».
- Autocarro articulado. Em Portugal, veículo de transporte coletivo, geralmente para percursos urbanos, com um reboque traseiro, interligado por um sistema de sanfona. O mesmo que ônibus articulado no Brasil. O modelo biarticulado é mais raro.
- Autocarro escolar. Autocarro, ou minibus (ver também carrinha), destinado ao transporte de crianças para as escolas. Não é muito usado, em grande escala, em Portugal, pertencendo a maior parte a empresas privadas ou são geridos pelas autarquias. Corresponde ao ônibus escolar no Brasil ou ao mais famoso school bus nos Estados Unidos da América.
- Autocarro de turismo. Designação em Portugal de autocarros de serviço turístico ou para viagens rodoviárias de longa distância, geralmente mais confortáveis que os urbanos; antigamente chamado autopullman. O mesmo que ônibus rodoviário no Brasil.
- Autocarro panorâmico. Veículo de dois andares. Em alguns tipos o teto superior é aberto, principalmente para uso em passeios turísticos. O mesmo que double-decker. No Brasil ônibus panorâmico.
- Autocarro urbano, ou apenas urbano ou (carreira) urbana. Designação em Portugal do serviço ou do próprio autocarro urbano. O mesmo que ônibus urbano no Brasil.
3. Autopullman. Palavra em desuso; o mesmo que autocarro de turismo em Portugal ou ônibus rodoviário no Brasil. Também abreviado pullman. A palavra tem origem num tipo de carruagens mais confortáveis criadas em 1864 pelo norte-americano George Pullman.
4. Bus. O mesmo que autobus. Em Portugal é mais frequente autocarro; no Brasil é ônibus. A palavra bus é usada, entre outras situações, na sinalização rodoviária, nomeadamente nas faixas ou ruas reservadas para transportes público. Bus é uma redução da palavra omnibus. Em inglês, e noutras línguas, bus é uma palavra comum para autocarro ou equivalente.
5. Camioneta ou camioneta da carreira. Designação popular, em desuso, para os autocarros interurbanos em Portugal.
6. Carreira. Designação popular, em desuso, para os autocarros interurbanos em Portugal; redução de camioneta da carreira.
- Carreira urbana. Ver autocarro urbano.
7. Carrinha. Termo usado em Portugal para minibus ou pequeno autocarro. A palavra é frequentemente usada para veículos de transportes escolares ou turísticos para pequenos grupos.
Não deve ser confundido com carrinha celular, que é um veículo para transporte de presos e detidos, também chamado viatura celular ou apenas celular.
8. Chapa. Em Moçambique, minibus de transporte coletivo; qualquer veículo automóvel que transporte pessoas a troco de algum dinheiro. A designação deriva de chapa ou chapa cem, com o sentido de “preço único”, de cem meticais.
Fazer chapa significa cobrar dinheiro pelas boleias ou usar um automóvel como chapa.
9. Double-decker. O mesmo que autocarro panorâmico em Portugal, ou ônibus panorâmico ou ônibus double decker no Brasil.
10. Expresso. Designação em Portugal do serviço ou do próprio autocarro interurbano de longa distância.
11. Hiace ou iace. Minibus ou carrinha em Cabo Verde. A palavra é o nome dum modelo de uma marca comercial de veículos deste tipo.
12. Horário. Autocarro na ilha da Madeira, Portugal. A palavra tem origem no nome da empresa Horários do Funchal.
13. Machimbombo. Palavra usada em Moçambique e Angola. Deriva do inglês machine pump, «bomba mecânica», nome inicialmente o nome dado aos ascensores de Lisboa.
14. Micrão. O mesmo que midibus, no Brasil.
15. Microlete. Pequeno autocarro, ou minibus, em Timor-Leste.
16. Micromaster. O mesmo que midibus, no Brasil.
17. Micro-ônibus. Pequeno ônibus (autocarro) no Brasil. O mesmo que minibus em Portugal.
18. Midibus. Veículo de tamanho intermédio entre o micro-ônibus (minibus) e o ônibus (autocarro), muito usado no Brasil. Também é conhecido como micrão, minibus ou micromaster.
19. Minibus. Palavra mais usada em Portugal para pequeno autocarro. O mesmo que chapa em Moçambique, iace em Cabo Verde, microlete em Timor-Leste, micro-ônibus ou miniónibus no Brasil.
20. Minhocão. Designação popular de ônibus articulado no Brasil.
21. Miniónibus. Pequeno ônibus (autocarro) no Brasil. O mesmo que minibus em Portugal e palavras equivalentes em vários países.
22. Ônibus (no Brasil), ónibus (noutros países); omnibus na grafia antiga. É a palavra mais usada no Brasil para este tipo de veículo. A palavra omnibus começou por ser usada, em Paris no século XVIII, para designar os veículos puxados por cavalos, de tipo diligência ou carroça, destinados a transportes coletivos em percursos e horários fixos. Em muitas línguas e países, o nome foi abreviado para bus ou entrou na composição de outras, tais como auto-omnibus, auto-ónibus, ou autobus. A palavra original deriva do latim omnibus, «para todos», «de todos», dativo plural de omnis, «todo».
- Ônibus articulado. No Brasil, veículo de transporte coletivo, geralmente para percursos urbanos, com um reboque traseiro, interligado por um sistema de sanfona; popularmente chamado ônibus-sanfona ou minhocão. O mesmo que autocarro articulado em Portugal. O modelo biarticulado, chamado ônibus com duas sanfonas, é mais raro.
- Ônibus escolar. Designação usada no Brasil para os ônibus destinado ao transporte de crianças para as escolas. Também se diz apenas escolar.
- Ônibus espacial. É um veículo que não tem relação nem deve ser confundido com o transporte rodoviário de passageiros. Ônibus espacial é nome usado no Brasil para o veículo parcialmente reutilizável usado nas viagens espaciais. Em Portugal designa-se vaivém espacial e em inglês space shuttle.
- Ônibus panorâmico. Veículo de dois andares. Em alguns tipos o teto superior é aberto, principalmente para uso em passeios turísticos. O mesmo que double-decker. Em Portugal autocarro panorâmico.
- Ônibus rodoviário. Designação usada no Brasil para ônibus de serviço turístico ou para viagens rodoviárias de longa distância, geralmente mais confortáveis que os urbanos. O mesmo que autocarro de turismo em Portugal.
- Ônibus-sanfona. Designação popular de ônibus articulado no Brasil.
- Ônibus urbano. Designação, no Brasil, do ônibus de serviço urbano. O mesmo que autocarro urbano em Portugal.
23. Otocarro. Termo derivado de autocarro, usado em alguns países africanos em línguas crioulas (de base lexical portuguesa).
24. Parada de ônibus, ponto de ônibus ou ponto de parada. Designação no Brasil para o mesmo que paragem de autocarro, ou apenas paragem, em Portugal.
25. Paragem de autocarro, ou apenas paragem. Designação em Portugal para o mesmo que parada de ônibus, ponto de ônibus ou ponto de parada no Brasil
26. Rodoviária. Termo popular usado em Portugal para designar o serviço de autocarros ou os próprios veículos. A palavra, neste sentido, terá origem no nome da antiga empresa Rodoviária Nacional ou outras com a mesma palavra no nome.
27. Urbano. O mesmo que autocarro urbano ou carreira urbana.
28. Terminal intermodal ou interface. Local, estação ou central onde param diversos tipos de transportes públicos, geralmente rodoviários e ferroviários.
29. Terminal rodoviário, central de camionagem ou estação rodoviária. Estrutura ou local onde os autocarros (ônibus no Brasil) param para embarque ou desembarque de passageiros e, em alguns casos, para estacionamento e guarda dos veículos.
30. Toca-toca. Termo derivado de autocarro, usado em alguns países africanos com línguas crioulas (de base lexical portuguesa).
31. Trólebus, ônibus elétrico ou troleicarro. No Brasil, ônibus movido a energia elétrica transmitida por cabo aéreo suspenso sobre o seu trajeto (catenária). Em Portugal chama-se trólei ou troleibus.
32. Trólei, troleibus ou troleicarro. Em Portugal, autocarro movido a energia elétrica transmitida por cabo aéreo suspenso sobre o seu trajeto (catenária). No Brasil chama-se trólebus, ônibus elétrico ou troleicarro. Em inglês designa-se trolleybus ou trolley, embora a palavra trolley também seja aplicada a outro tipo de veículos.
Iace em São Pedro, São Vicente, Cabo Verde
Fotos: ©2006-2014 Francisco Santos

20 May 2015

Abreviaturas, acrónimos, siglas

Aqui estão algumas abreviaturas, acrónimos, siglas, etc, principalmente as usadas nos textos doutras publicações deste blog.
  • ABC (Ilhas ABC). Conjunto das ilhas de Aruba, Bonaire e Curaçao, nas Caraíbas.
  • AEF. África Equatorial Francesa (em francês Afrique-Équatoriale française).
  • AOF. África Ocidental Francesa (em francês Afrique-Occidentale française).
  • ATL. Atividades de Tempos Livres.
  • BCA. Protetorado Britânico da África Central (em inglês British Central Africa Protectorate).
  • Blog. Contração do termo inglês weblog, de web log, ou seja um registo ou diário escrito na rede da internet. Também se escreve blogue em português.
  • BR. Prefixo das rodovias federais brasileiras. Não confundir com .br, o domínio de topo do Brasil na internet.
  • ©. Símbolo de direitos de autor, ou direitos autorais (em inglês Copyright).
  • c/. Com.
  • D. Dom. Título geralmente atribuído a monarcas ou a clérigos.
  • D.ª. Dona.
  • E. Este, leste; usado principalmente para coordenadas em longitude.
  • e-, ou e junto à palavra seguinte. Eletrónico(a).
  • EB. Escola Básica.
  • Email ou e-mail. Termo inglês para correio eletrónico (serviço, endereço ou mensagem). Também abreviado para mail.
  • ERG. Escolinha de Rugby da Galiza, em Cascais.
  • etc. E outras coisas mais; do latim et caetera ou et cetera.
  • EUA, E.U.A. ou E.U. Estados Unidos da América (em inglês USA ou US, United States of America; em castelhano EE.UU. ou EEUU).
  • Ex. Livro do Êxodo, o segundo da Torá e da Bíblia cristã.
  • FYROM. Em inglês Former Yugoslav Republic of Macedonia; em macedónio ПЈРМ, Поранешна Југословенска Република Македонија; em português Antiga República Jugoslava da Macedónia.
  • ha. Hectare(s).
  • JI. Jardim de infância, jardim infantil.
  • km. Quilómetro(s).
  • km². Quilómetro(s) quadrado(s).
  • m. Metro(s).
  • Mail. Abreviatura de email (inglês para correio eletrónico).
  • mn. Milha(s) náutica(s); 1 mn = 1.852 m. Não confundir com a milha terrestre (1.609 m).
  • MT. mar territorial.
  • N. Norte; usado principalmente para coordenadas em latitude.
  • nm ou NM. Milha(s) náutica(s) (em inglês nautical mile) ; 1 mn = 1.852 m. Não confundir com a milha terrestre (1.609 m).
  • NATO. Em inglês North Atlantic Treaty Organization; o mesmo que OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte; em francês Organisation du traité de l'Atlantique nord; também chamada Aliança Atlântica; por vezes Nato.
  • NUTS. Unidades Territoriais para fins Estatísticos, da União Europeia. Subdividem-se em níveis: NUTS 1, NUTS 2, NUTS 3.
  • O. Oeste; usado principalmente para coordenadas em longitude. Também W (em inglês west).
  • ONU. Organização das Nações Unidas.
  • OTAN. Organização do Tratado do Atlântico Norte; em francês Organisation du traité de l'Atlantique nord; o mesmo que NATO (em inglês North Atlantic Treaty Organization); também chamada Aliança Atlântica; por vezes Otan.
  • Oz. Nome coloquial da Austrália, usado em inglês.
  • ®. Marca registada.
  • RAG. Real Academia Galega.
  • RPC. República Popular da China.
  • RTP. Rádio e Televisão de Portugal. Antes de 2004 significava Radiotelevisão Portuguesa.
  • S. Sul; usado principalmente para coordenadas em latitude. Também São (Santo).
  • Séc. Século(s).
  • São. Santo. Também S.
  • UE. União Europeia.
  • UNESCO. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (em inglês United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization); por vezes Unesco.

  • URSS. União das Repúblicas Socialistas Soviéticas; também conhecida como União Soviética.
  • USA, U.S.A., US, U.S. Estados Unidos da América (EUA; em inglês United States of America).
  • W. Oeste; em inglês west; usado principalmente para coordenadas em longitude. Também O (em português oeste).
  • ZEE. Zona Económica Exclusiva. Não confundir com mar territorial (MT).
  • 1.ª, 1.º. Primeira, primeiro.
  • 2.ª, 2.º. Segunda, segundo.
  • %. Por cento, percentagem.
(Continua.)

19 May 2015

Muito

Conforme os casos e a nomenclatura usada, muito pode ser adjetivo, pronome indefinido, quantificador existencial, determinante, substantivo, nome, ou advérbio. Os significados são os seguintes:
- em grande número ou quantidade; quantidade grande de algo; em grande quantidade indefinida; grande porção;
- em abundância, com abundância; abundante; abundantemente;
- demasiado, excessivo; em excesso; com excesso; excessivamente, profundamente; que excede o ordinário;
- intenso; com grande intensidade; forte; com grande força;
- em alto grau, em grau elevado; grandemente;
- frequentemente, repetidas vezes;
- grande duração;
- com excelência de engenho
- a maior parte; a maioria.
Muito deriva do latim multu, com os mesmos significados.

Mui
Mui é uma forma arcaica apocopada de muito como advérbio. Esta forma já é pouco usada. Em geral era empregue antes de adjetivos, advérbios e substantivos quando adquirem o valor de adjetivos.

Galiza
A Real Academia Galega (RAG) aceita a grafia muito mas recomenda como forma mais aceitável moito, moiOs galegos críticos da ortografia da RAG preferem a forma muito.

Antónimo
Pouco.

Sinónimos
Bastante, tanto, tão, deveras, assaz, monte (montes de), demasiado, sobremaneira, bué (Angola), buereré (muitíssimo), maningue (Moçambique).
A palavra bué, de origem angola, é frequente em Portugal; a derivada, buereré, é menos habitual.

Latim

Masculino
Feminino
Neutro

singular plural singular plural singular plural
Nominativo multus multi multa multae multum multa
Vocativo multus multi multa multae multum multa
Genitivo multi multorum multae multarum multi multorum
Dativo multo multis multae multis multo multis
Ablativo multo multis multa multis multo multis
Acusativo multum multos multam multas multum multa

Comparação
galego-português castelhano catalão francês italiano
muito, muita mucho, mucha, molt, molta, beaucoup molto, molta,
muitos, muitas muchos, muchas molts, moltes molti, molte
muito, mui muy molt très molto

Nota: em castelhano, muy é uma apócope do antigo muito, que já não é usado. 

15 May 2015

Montes e montanhas

Serra do Gerês
As palavras monte e montanha estão relacionadas, são quase sinónimas e têm a mesma origem. Monte é uma palavra masculina, montanha é feminina. Como é habitual em português, a palavra feminina define algo mais extenso ou mais largo que a palavra masculina.
Um monte é uma elevação de terreno acima do solo circunjacente, que sobressai ou é claramente proeminente na paisagem. Um monte é mais alto que uma colina, mas menos extenso e menos alto do que uma montanha. Esta, por sua vez, é uma elevação ou relevo da crusta terrestre com cume de altitude considerável e vertentes com declive acentuado, que ocupa geralmente uma grande extensão.
A palavra monte tem origem imediata no latim montemontem, nominativo mons. O antecedente da palavra latina está na raiz proto-indo-europeia *men-, «destacar-se, projetar-se». Esta raiz tem os cognatos: em sânscrito manya, «nuca»; em irlandês antigo muin, «pescoço»; em galês mwnwgl, «pescoço», mwng, «crina», mynydd, «montanha»; em latim eminere, «destacar-se», monile, «colar».
A palavra montanha, relacionada com monte, deriva do latim vulgar *montanea, que é o substantivo feminino a partir do adjetivo *montaneus «da montanha», de montanus, «montanhoso, de montanhas», de mons (genitivo montis), «montanha, monte».
Várias línguas têm uma palavra semelhante e com a mesma origem que a galego-portuguesa montanha. Alguns exemplos: aragonês montanya; arromeno munti; asturiano e castelhano montaña; catalão muntanya; corso e lombardo muntagna; emiliano (bolonhês) muntâgna; escocês muntain; francês montagne; inglês mountain; italiano montagna; maltês muntanja; mirandês muntanha; normando antigo muntainemuntaigne; normando montangnemaontognemountanne; occitano montanha; romanche muntogna; romeno munte; siciliano muntagna; tarentino mundagne; valão montinnemontagne.
A palavra equivalente a montanha também tem grupos semelhantes noutras línguas europeias. Por exemplo berg, ou idêntica, é usada em línguas germânicas, fjall em línguas nórdicas, gora / hora em línguas eslavas, planina em línguas eslavas balcânicas, kaln- nas línguas bálticas. O inglês mountain deriva do normando ou francês antigo, mas também tem a palavra fell para certo tipo de terras altas, a qual provem do nórdico antigo fellfjall, «montanha». Em galês, bretão, basco, albanês e georgiano a palavra também começa por m.
Montanha, em várias línguas
Outras palavras relacionadas com montes e montanhas
  • Achada. Planalto pouco extenso; na Madeira, pequeno planalto encostado ao flanco de uma montanha ou à vertente de um vale; chada.
  • AlpeLugar elevado; monte, montanha, serra; Montanha alta escarpada que se assemelha topograficamente aos Alpes da Europa.
  • AlpesPastagens entre montes ou montanhas; pastagem de montanha; pasto de gado em montanha; pastagem dos Alpes; lugares altos.
  • Alto ou altorelo. Elevação, monte, ponto alto, cume, pináculo, saliência, protuberância.
  • Altura. Alto, cume, eminência.
  • Cabeço. Cume arredondado de um monte relativamente pequeno; pequeno monte arredondado; outeiro; cume arredondado na cumeada; outeiro isolado.
  • Cerro. Pequena elevação de terreno; pequeno monte ou colina pouco elevada; outeiro; morro. Também pequeno morro escarpado e pedregoso. cerrado é o bioma do tipo savana no Brasil, com árvores baixas e vegetação xerófila, nos planaltos com alguma cobertura herbácea.
  • Chã. Chapada, chada; planalto. Em Cabo Verde, a mais famosa é a Chã das Caldeiras, junto ao vulcão da ilha do Fogo.
  • Chapada. Área de terra de dimensões consideráveis, situada a uma certa altitude, com o topo relativamente plano, limitada por escarpas, às vezes abruptas; planalto; área plana no alto de serras; planura no meio da encosta de um monte. A maior chapada brasileira é a Chapada Diamantina, uma região de serras situada no centro do estado da Bahia.
  • Cima. A parte mais alta; cimo; cume, cumeeira; alto; topo.
  • Cimeira. Parte mais alta de um monte; cume; cimo; cumeeira.
  • Colina. Pequena elevação de terreno, de menor altura que o monte; outeiro.
  • Cômoro, combro, cômaro ou cômbaro. Pequena elevação isolada de terreno; montículo; outeiro; talude, declive áspero de um terreno.
  • Cordilheira. Extensa cadeia ou série de montanhas contíguas.
  • Cotarelo. Na Galiza, prominência pequena; montanha pequena, outeiro pequeno, montículo de pouca altura, colina; pequena elevação de forma cónica ou piramidal.
  • Coto. Na Galiza, elevação cónica pequena, penha; montanha de pequena altura; cume, parte mais elevada, cabeça, cocuruto; penedo; lomba redonda; cume ou cimo de um monte.
  • Crista. Cimo, cima; cume; aresta superior de uma elevação; ponto mais elevado.
  • Cume ou cúmio. Cimo de uma elevação de terreno; topo ou tope; ponto mais alto de um monte; cimo; alto; ponto mais elevado; coruto, coruto, crista, píncaro.
  • Cumeada. Linha formada por uma série de cumes; cumeeira ou cumieira; cordilheira.
  • Cumeeira, cumieira ou cumeeiro. Parte mais alta de uma elevação de terreno; parte mais alta de uma montanha; extensão do cume; cumeada.
  • Cutelo. Em Cabo Verde, lugar elevado; cimo do monte; miradouro.
  • Eminência. Ponto elevado; altura; saliência; elevação de terreno; colina.
  • Morro. Monte de pouca altura; outeiro (ou oiteiro) arredondado e isolado. No Brasil também significa favela.
  • Outeiro, oiteiro ou outelo. Pequeno monte; pequena elevação de terreno, normalmente isolada numa planura. Na Galiza também significa penedo ou rocha. Do latim altariu, «altar».
  • Pico. Cume ou cimo agudo de um monte; monte alto terminado em pico ou bico; montanha isolada, elevada e pontiaguda; cume, pináculo, píncaro, eminência; montanha isolada, elevada e pontiaguda.
  • Picoto ou picouto. Pico ou cume elevado, agudo ou escarpado de um monte; o mais alto de um cume; cúspide; outeiro; montículo cónico, montanha de ponta aguda.
  • Pináculo. Ponto mais alto de um monte; cimo, cume.
  • Píncaro. Ponto mais alto de uma montanha ou de um monte; cume; cimo; pináculo.
  • Planalto. Terreno quase plano, geralmente extenso, mas situado a altitude considerável, contrastando com os terrenos acidentados que lhe ficam adjacentes; região plana que se situa no alto de uma montanha ou de uma serra; chã.
  • Serra. Esta palavra é por vezes sinónima de montanha, mas geralmente uma serra é uma grande extensão de montanhas ligadas umas às outras, formando uma cadeia ou cordilheira. As serras prolongam-se por vários quilómetros, fazendo geralmente parte de um sistema orográfico em que os vales separam as zonas mais altas. Montes, no plural, também se usa para designar montanha ou serra.
  • Serrania. Conjunto, aglomeração, cadeia ou cordilheira de serras; espaço de terras composto de serra e montanhas; terreno montanhoso e desabrigado. Também serraria.
  • Chã do Monte, na Serra da Peneda
    Expressões e outros significados
    • Andar a monte. Andar fugido à justiça.
    • A monte. A granel, confusamente; sem trabalhar (na Galiza).
    • Aos montes. Em grande quantidade.
    • Botar a montedeixar a montepôr a montequedar a monteir-se a monte. Na Galiza. diz-se dum terreno lavradio e cultivado quando se deixa sem cava nem cultivo e se vai enchendo de ervas, tojos, arbustos, árvores ou malezas (abundância de ervas nocivas para a sementeira; ervas e arbustos selvagens).
    • Cavar a monte aberto. Na Galiza, estivadar (cavar um monte, amontoando os terrões para serem queimados e estendidas as cinzas e uma vez feito isto arar e semear).
    • Cordilheira. No Mato Grosso, Brasil, uma cordilheira é uma grande extensão de mato ao longo da barranca dos rios. No Pantanal, Mato Grosso do Sul, as cordilheiras são pequenos níveis de terraços constituídos entre as lagoas.
    • Correr os montes. Na Galiza, ir de caça maior.
    • De monte a monte. De lado a lado; Caudalosamente; a transbordar.
    • Estar um monte birão. Na Galiza, estar uma terra a monte; estar um homem com muito cabelo ou sem fazer a barba.
    • Montante. Lado de cima ou da nascente de um curso de água, por oposição a jusante; direção de onde correm as águas de uma corrente fluvial. A montante é para o lado da nascente de um rio; parte superior do curso de um rio, a partir de determinado ponto.
    • Monte. Na Galiza e Trás-os-Montes (norte de Portugal), terreno inculto coberto de erva e mato e, às vezes, com árvores ou vegetação espontânea arbustiva.
    • Monte. No Brasil, lugarejo com limitado número de casas.
    • Monte. No sul de Portugal, em especial no Alentejo, sede de herdade formada por vários edifícios, geralmente na parte mais alta; casal da herdade; designação por vezes atribuída a toda a herdade; montado; lugarejo.
    • Monte alto. Na Galiza, o de grandes árvores.
    • Monte baixo. Na Galiza, o de arbustos e maleza.
    • Monte bravo. Na Galiza, o de árvores madeiráveis com o chão cheio de matorral; aquele que forma um conjunto de repovoado natural muito denso.
    • Monte comunal. Na Galiza, o que está em mão comum, vizinhal, de livre acesso.
    • Monte de lenha. Na Galiza, o que se utiliza para as necessidades do lume na lareira.
    • Monte de ouro. Grande soma de dinheiro.
    • Monte de pasto. Na Galiza, abundante em ervas e dedicado a pasto do gado.
    • Monte de sardinha. Na Galiza, banco irregular que as sardinhas formam por vezes no mar.
    • Monte de tojo. Na Galiza, o dedicado a tojeira, para lenha ou estrume.
    • Monte de vara. Na Galiza, terra montesia em mão comum, indivisível normalmente (só se faz no ano que se formam as searas para lavrá-la ou cultivá-la).
    • Monte-de-Vénus. Proeminência arredondada e coberta de pelo no púbis feminino.
    • Monte médio. Na Galiza, o de grandes árvores e arbustos.
    • Monte peladomonte raso. Na Galiza, desprovido de árvores e arbustos.
    • Monte pequeno. Na Galiza, pequeno monte de sardinha.
    • Montes das olas. Na Galiza, no que se encontraram olas explorando as suas mamoas.
    • Montes e moreias. Na Galiza, abundância ou grande quantidade de cousas várias.
    • Por montes e vales. Por todos os lados, em todas as direções.
    • Ser de monte e ribeira. Na Galiza, ser de tudo e para tudo.
    • Ter montes de ouro. Na Galiza, exagerada magnitude de grandes riquezas.

    Provérbios
    • A abelha, perto do monte e com fonte e casa abrigada, produz mel e cera dobrada.
    • A cabra puxa sempre para o monte, e o sequioso para a fonte.
    • A castanha vem pela montanha. (Galiza.)
    • A dama do monte, cavaleiro da corte.
    • A erva é sempre mais verde do outro lado do monte.
    • A fome do lobo leva-o aos montes.
    • A montanha pariu um rato.
    • De monte a monte, vai o rio.
    • De pequeninos grãos se fazem grandes montes.
    • De pequenos grãos se ajunta grande monte.
    • Monte duro, pão seguro. Monte e ribeira, não se atopa onde se queira. (Galiza.)
    • Mulher casada, no monte é alojada.
    • Não importa o tamanho da Montanha, ela não pode tapar o sol. (China.)
    • Névoa na montanha, pescador na cabana. (Galiza.)
    • O homem que move montanhas começa carregando pequenas pedras. (China.)
    • Onde se tira e não se põe, logo o monte diminui.
    • Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé.
    • Tudo ao monte e fé em Deus.
    http://www.priberam.pt/DLPO/
    http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa
    http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/
    http://www.estraviz.org/
    Foto do Gerês: autor Alberto Mesquita; licença http://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/.
    Foto da Peneda: autor Enfersantos; licença http://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/.